quinta-feira, junho 26, 2014

A Liberdade e a Arte

O ano letivo já acabou há alguns dias para os meninos do 1.º Ciclo.

Ao longo deste 2.º ano trabalhamos imensos conteúdos. Agora é fase de descanso e tempo de recarregar energias, porque o ano foi exigente e o próximo avizinha-se ainda mais "desafiador".

Mas ainda antes de terminar o ano, a nossa turma foi convidada para assistir a uma apresentação de um livro sobre a Liberdade, escrito pela Catarina Mouta, chamado: "O dia em que o Sol brilhou". A sessão decorreu no jardim da livravria Centésima Página, onde nos pudemos deliciar a ouvir a história ao som de um instrumento musical fantástico, chamado "bells".


Com o fim do ano letivo terminou também o nosso Projeto de Turma "Matemática: um património a descobrir". Foram várias as atividades, trabalhos e leituras que fizemos. E, ao longo do ano, fomos percebendo que a Matemática está muito relacionada com o Património e vice-versa. Percebemos a origem da Matemática e como ela foi evoluindo até aos dias de hoje. A Matemática é, sem dúvida, uma enorme herança! 

Como o tempo não chega para tudo, ela vai continuar a acompanhar-nos no próximo ano (este ano não conseguimos abordar tudo o que gostaríamos, pois o tempo para desenvolver Projetos de Turma é cada vez menor tamanha é a carga programática e a preocupação quase "alucinatória" com os exames e os rankings). 

Mas pronto, vamos adocicando as aulas como se pode. 

A Geometria, um dos ramos da Matemática, tem sido uma fonte de inspiração para muitos artistas. E é com a arte e com a companhia de vários artistas que para o ano vamos caminhar por entre novas matérias e novos desafios. :-)

Obra de Kandinsky


Boas férias! E viva a Arte! :-D

sexta-feira, maio 16, 2014

Primavera...até que enfim!

A Primavera já veio ter connosco há algum tempo, mas nós ainda não tínhamos ido ter com ela... Agora sim! :-)

Árvore


A semente dorme na
placenta, húmida, da
Terra. Mas começam a
percorrê-la murmúrios
de água e Primavera.
Torna-se raiz e caule,
que irrompe da sua
prisão sem luz para
beber os ventos e a 
claridade do dia. O
tronco firma-se como 
um mastro e caminha
para céus, claros,
num apelo a ninhos.
Em breve, brevezinho,
desfralda-se em ramos
e folhas que atraem
uma floração de asas e
de cânticos. E a árvore
começa a ser, a dar e a
permitir vida.

Luísa Dacosta

sexta-feira, maio 09, 2014

Arquitetura...uma amiga da Matemática

Uma vez que andamos à volta com as medidas de comprimento, perímetros e áreas, hoje, num bocadinho da aula, recebemos a visita de uma mãe, que é arquiteta, e nos veio falar um pouco do seu trabalho e da ligação próxima que existe entre a Arquitetura e a Matemática, que como pudemos constatar, é enorme!

E vimos em tamanho real algumas das coisas sobre as quais já falamos durante as aulas: as plantas e as maquetes.




Depois vimos exemplos de algumas construções, desde os tempos pré-históricos até aos dias de hoje e tentamos identificar, neles, algumas características matemáticas.


Enquanto ouviam as explicações, os alunos seguiram a leitura de um texto, que a certa altura lhes, perguntava: 
(e a resposta não poderia ter sido mais adequada aos conteúdos que estamos a abordar). :-)


Sabem dizer se a Matemática é importante para a arquitetura e para o Arquiteto?

A Matemática está sempre presente, é uma ferramenta de trabalho. Temos que conhecer as medidas do espaço onde vamos colocar o nosso objecto, ou seja, a área, as alturas que vamos atribuir a cada elemento, o volume, a dimensão das janelas, das portas, dos quartos, das salas, conhecer todas as formas geométricas que podemos usar. Os eixos de simetria sempre revelados em todos os edifícios e nos desenhos das cidades.
Assim, se não conhecermos as mais variadas formas da matemática não nos é possível pensar e fazer Arquitetura.

No final, os alunos foram desafiados a desenhar a planta do seu quarto ou como gostariam que ele fosse.

Foi muito engraçado ver a dificuldade que os meninos sentiram em representar os vários elementos do quarto, tanto a nível de proporção e de orientação espacial, como a nível da perspetiva (muitos misturaram as visões 2D e 3D). Mas ainda assim, superam bem a prova!






Resta-me agradecer, desta vez, a colaboração da Marta Fernandes, que tão bem e tão gentilmente, veio contextualizar o uso da Matemática na vida real. Muito obrigada por este bocadinho! :-)

sexta-feira, maio 02, 2014

Visita à Signinum - A Matemática e o Património

Hoje, finalmente, conseguimos realizar uma atividade que há muito estava programada, mas que só agora se concretizou.

Voltando ao tema do nosso projeto "Matemática: um património a descobrir", e tendo como ponto de partida a simetria dos azulejos do claustro do nosso colégio, cujo património é belíssimo, fomos até às instalações da Signinum, em Celeirós, onde nos esperavam várias atividades sobre o Património e a Matemática.


Uma das primeiras coisas que vimos foi este oratório que estava a ser limpo, pacientemente, por umas das técnicas. E mal olhamos para ele conseguimos de imediato identificar nele um aspeto matemático: a sua simetria, com um eixo de reflexão vertical.

As imagens que fazem parte do interior deste oratório estavam nas mãos de outra técnica, a serem limpas e muito bem tratadas!


De seguida observamos mais duas técnicas que estavam a retirar a sujidade de uma tela enorme. Qual seria o seu comprimento? E a sua área? Esquecemo-nos de perguntar, mas vamos descobrir! :-)


Aqui também se destacou outro aspeto matemático: a tela estava dividida em tantos quadradinhos, que até parecia um tabuleiro xadrez! Por que motivo? Alguém se lembra? Deixo a pergunta em aberto para quem quiser responder.


À nossa espera estava também um microscópio ótico onde pudemos ver que mistérios se escondem por detrás das peças. Por exemplo, a peça que analisamos ao microscópio, e cuja imagem vimos num monitor, tinha imensas camadas de tinta, o que prova que esta esteve sujeita a uma grande quantidade de pinturas. Neste microscópio pudemos também observar um bicho da madeira, que tantos estragos faz na madeira, e que muito ampliado se revelou extremamente feio aos nossos olhos. Eh eh!


Posteriormente fomos ver como eram feitas as tintas, antigamente. O processo não era complicado: bastavam pigmentos, retirados de vários elementos da natureza, água e um aglutinador (um tipo de cola para dar consistência à tinta) - neste caso foi usada a gema do ovo. Depois de termos estas tintas naturais preparadas, fizemos alguns desenhos livres com elas.


Depois disto ainda douramos uma flor feita em gesso. Aqui abordamos os conceitos de volume (aquando do enchimento dos moldes com o gesso para fazer as flores) e de área (quando cobrimos toda a superfície da flor com folha de ouro. 




O resultado final deixou-nos boquiabertos e muito contentes!


Para finalizar a manhã, realizamos então a atividade relacionada com os azulejos do nosso colégio. Mas estas coisas da geometria e do tempo (que começou a ficar apertadíssimo) às vezes são complicadas... Por isso, ainda vamos retomar este trabalho, apesar de já lhe termos dado um bom pontapé de saída!


Resta-me agradecer à Signinum que tão bem nos recebeu e tanto nos ensinou. 


Muito obrigada por toda a colaboração e por nos terem permitido esta viagem pela preservação do património.

segunda-feira, abril 28, 2014

Matemática: vou fotografAR-TE!

Já há algum tempo que, no âmbito do nosso projeto de turma, foi lançado aos alunos e respetivas famílias a participação num passatempo fotográfico sobre a matemática, chamado - Matemática: vou fotografAR-TE!


O que nos rodeia está impregnado de elementos matemáticos, desde a própria Natureza às criações humanas. Tendo em vista esta abrangência e riqueza da Matemática, foi pedido aos alunos que, com os seus pais, vissem o que os rodeava com um olhar artisticamente matemático de forma a captarem numa fotografia algo que retratasse um aspeto matemático: uma simetria, uma forma, um padrão… 

Os resultados foram muito interessantes. Aqui fica a partilha de alguns dos trabalhos entregues.




Curiosamente, ontem, enquanto deambulava por uma rede social, deparei-me com esta imagem, que tão bem traduz a essência deste trabalho! Boa Kepler! Há coisas fantásticas... :-D


Acabo esta publicação com uma citação que uma aluna utilizou no seu trabalho e cuja autoria pertence a Galileu:

"O universo (...) não pode ser compreendido a menos que primeiro aprendamos a linguagem no qual ele está escrito. Ele está escrito na linguagem matemática e os seus caracteres são o triângulo, o círculo e outras figuras geométricas, sem as quais é impossível compreender uma palavra que seja dele: sem estes, ficamos às escuras, num labirinto escuro."

A vocês pais, muito obrigada pela participação!

quinta-feira, abril 03, 2014

A poupa poupada, na Semana da Leitura

No colégio onde trabalho está a decorrer a Semana da Leitura e está a ser muito produtiva.
Como sempre, realizou-se uma Exposição que  prima pela originalidade e diversidade dos trabalhos.

Este ano não recebemos a visita de nenhum escritor. Optámos por dar a vez a quem ajuda a embelezar e a dar cor às palavras das histórias. E ontem, Dia Mundial do Livro Infantil, veio ter connosco um dos ilustradores portugueses que mais aprecio: o Paulo Galindro. E que sorte a minha, que tive direito a retrato com o senhor e tudo! :-)


Ora, tendo em vista a visita deste ilustrador decidimos abordar um livro por ele ilustrado: A Poupa Poupada e a partir dele desenvolver vários trabalhos.

Numa primeira etapa, relacionada com a pré-leitura, deambulamos sobre o universo da ilustração infantil - falamos sobre a importância das ilustrações e tentamos descobrir, através das imagens, como seria a história daquele livro.

Depois, já na fase da leitura, exploramos o texto, analisando cuidadosamente o vocabulário e fizemos um reconto/resumo, que serviu de inspiração para as ilustrações dos alunos.




Por fim, já na fase da pós-leitura, e porque era muita a curiosidade dos alunos sobre alguns nomes de animais e árvores que vinham na história, fizemos uma pequena pesquisa sobre vários seres vivos (árvores e animais) relacionados com o bosque, local onde se passa grande parte da ação. Depois desenhamos as árvores e modelamos os animais em terracota. Segundo eles, o resultado ficou muito giro!


Para acabar, realizamos a proposta que vinha nas páginas finais do livro: um tsuru. Foi uma aventura fazer este origami, mas a verdade é despoletou vontades para continuarmos a realizar mais destas fantásticas dobragens!


sexta-feira, março 28, 2014

A Fábrica das Palavras

Ontem fugimos à rotina da sala de aula, da cabeça enfiada nos livros e da limitação que as paredes da sala, por vezes, impõem e fomos até à Fábrica das Palavras. Deixamos também de lado a Matemática e o Património (tema do nosso projeto) e fomos comemorar o Dia Mundial do Teatro, de uma forma muito especial, com a ajuda preciosa do Armando Pinho: um dos grandes donos desta grande fábrica.

Logo pela manhã a fábrica estava pronta para receber os alunos.


Mas antes de entrarem na fábrica os alunos fizeram alguns exercícios introdutórios, aos quais aderiram muito bem. Depois foi explicado o funcionamento da fábrica, setor a setor.



Sempre acompanhados pelos conteúdos da Língua Portuguesa, iniciamos os trabalhos na fábrica e podem crer que passamos o dia a laborar! Os operários muito trabalharam, passando por várias fases. A linha de montagem desta fábrica contou com imensos conteúdos: consciência fonológica, ortografia, classificação silábica, classificação morfológica, onomatopeias, produção escrita, leitura (re)criativa... tudo realizado com muita imaginação e, sem dúvida, muito envolvimento.




Depois de fabricadas e arrumadas as palavras pelas suas classes gramaticais, tornava-se imperativo "vendê-las". Para isso, os operários deixaram os seus postos de trabalho e passaram a criadores. Com muita inspiração e trabalho de equipa, dramatizaram a leitura de alguns poemas que, de forma única, apresentaram aos colegas. Estou certa de que muitas  delas seriam um verdadeiro sucesso de vendas!


Esta aula performativa terminou com a dramatização do poema "Limpa Palavras" do escritor Álvaro de Magalhães, realizada pelo grande parceiro desta enorme atividade - o Armando Pinho. Com muita pena, tinha chegado a hora de fechar a fábrica e fazer as limpezas...


A aula acabou numa euforia total, pois a dinâmica criada não deixou ninguém indiferente. Só visto e vivido, mesmo!

E assim se passou um dia diferente, a trabalhar conteúdos programáticos e competências interpessoais de forma tão divertida e envolvente. 

"No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,

leves palavras voadoras

sem nada que as prenda à terra,

outra vez nascidas pela minha mão:

a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado agradece-me.

As outras não.

A palavra adeus despede-se..."

Excerto do poema "Limpa Palavras"


Ensinar com e pela arte? Para mim ficou claríssima a resposta. :-D

E, para quem perceber, só me apetece dizer: